CB, o perigo real

por João Barbosa e Marcelo Pacheco, adaptação para a Web de Guilherme Castanha

Definição
Cumulus nimbus. Este é o nome completo de um dos motivos de constante preocupação para pilotos e pára-quedistas, trata-se do popular CB, aquele que, dependendo da sua dimensão transforma o dia em noite. Os CBs são nuvens escuras de tempestade que se formam no céu, principalmente em dias quentes, antes de uma chuva forte, seguida de ventos fortes e aparentemente sem direção definida. Uma vez que este fenômeno está ligado à umidade e calor, o Brasil, está sujeito a este tipo de formação.

O Fenômeno
As turbulências geradas por um CB são fortes o suficiente para criar instabilidade no ar, prejudicando o controle de uma aeronave, às vezes de forma fatal. Suas dimensões também assustam, chega a ter 5 Km de base por 15 km de altura, consegue ultrapassar o limite da nossa troposfera, que pode variar entre 12 e 13 Km. Na verdade o CB deve ser encarado como um forte inimigo de pilotos e pára-quedistas, principalmente para os pára-quedistas, que não possuem proteção durante o vôo, a não ser a sua experiência, e esta diz :"Diante de uma CB, fique no chão ".

Vamos apenas lembrar a lei física de Boyle e Mariotte "À temperatura constante, o volume de um gás é inversamente proporcional a pressão exercida sobre este".

Segundo Ernesto Alvim, meteorologista do INMET. O CB pode ser definido como uma máquina termica que funciona através de calor e umidade. Quando a temperatura da atmosfera atinge um determinado valor crítico, são formadas bolhas de ar quente, similar a água fervente em uma chaleira. Como o ar quente é menos denso, as bolhas acabam subindo, ganhando altitude rapidamente, o que gera uma corrente ascendente, que podem chegar a velocidade de 10 m/s, que explica a grande extensão vertical associada à este tipo de nuvem.
Durante o movimento de subida, a pressão diminui, e o volume desta massa de ar quente aumenta (se expande), ao mesmo tempo que ocorre uma condensação de água, que gera calor. Todo este processo funciona, como uma realimentação contínua do sistema, que se intensifica com bastante rapidez. Ao atingir o limite dos fenômenos meteorológicos, a troposfera, a massa de ar quente do CB não consegue mais subir, espalhando-se pelas laterais, que irá proporcionar uma forma de bigorna, que é o aspecto característico do CB.

Formação do Granizo
Neste ponto, ocorre o resfriamento das águas do CB (nestas altitudes a temperatura é muito baixa) e a consequente formação de granizos. Este granizo ao atingir um peso considerável, perde a sustentação das correntes ascendentes e desaba, arrastando o ar consigo, fenômeno que podemos observar na superfície através da ação constante de fortes rajadas de vento.

O processo do CB que envolve granizo é particularmente interessante: "As gotas de chuva são aremessadas pelo vento até o topo da nuvem, lá, elas se refriam a 0 oC e se tornam pedras de gelo. Ficam pesadas, caem e agregam mais água em torno delas. Em seguida pegam outra corrente de ar e sobem novamente, congelando as gotas que acabaram de se juntar, permanecendo neste processo até que se tornam muito pesadas e finalmente despencam. No momento da queda, a base da nuvem pode estar a 600 ou 700 metros, mas as pedras de gelo podem estar caindo diretamente do topo, a 10 ou 13 Km de altura. Sendo assim, enquanto cai, a pedra vai perdendo tamanho por causa do atrito com o ar. Se a pedra for pequena ela chega na superfície em forma de chuva gelada; se for maior, ela chega ainda em estado sólido, como granizo. Logo, dentro de um CB existe uma infinidade destas pedras, de todos os tipos e tamanhos, por isso o CB, é conhecido como "parede de gelo".

Efeitos e Riscos
Não é preciso estar no meio de um CB para sofrer com os efeitos causados por ele. O constante movimento dos ventos nas proximidades da nuvem ja é muito perigosa para todo e qualquer tipo de aeronave (não importa o tamanho ou a motorização), que diríamos de um pára-quedas.

Enfrentar um CB é impossível (a não ser para os caças com suas turbinas extremamente potentes e sua estrutura reforçada para aguentar altas forças G), mesmo para os aviões de grande porte; sabendo dos riscos que correm, o procedimento recomendado é contorná-lo sempre pela esquerda, devido a direção dos ventos que é pela direita, ocasionado pelo movimento de rotação do planeta. Os metereologistas da Infraero, Moacir Moretti e Marcelo Cavadon Preste, recomendam manter uma distância de 20 Km de um CB. Com todo este movimento ascendente e descendente, dentro e fora da nuvem, a atmosfera fica turbulenta, e este efeito vais se espalhando em volta da nuvem. E ainda há o perigo do granizo, que pode ser expelido para fora da nuvem a uma distância considerável.

O maior risco do CB é a imprevisibilidade. Há casos de uma nuvem destas estar apenas 5 Km de distância e não causar maiores problemas. Há CB muito intensas, e outros com a mesma aparência, mas com uma intensidade menor na área externa.

Um outro grande problema da CB são as correntes descendentes de ar que podem se formar a qualquer momento, mas são mais predominantes e fortes quando a tempestade entra no estágio maduro, que é quando começa a chover. Elas são ainda mais predominantes no estágio final da CB, quando ela começa a se dissipar.

Outro grande perigo são os ventos chamados de Microbursts. Microburst é uma intensa corrente descendente que vai até o chão se abrindo como um guarda chuva virado para baixo. A intensidade destas correntes pode chegar a 6000 pés/minuto, e o fenômeno inteiro tipicamente dura 10 minutos. Uma corrente descendente de uns 600 pés/minuto já é capaz de jogar um pára-quedista ao chão sem piedade (600 pes/m = 3 m/s). Este fenômeno pode acontecer até com CBs com base bem alta, e sem nenhuma indicação visual. Às vezes pode se notar chuva caindo da CB, mas não atingem o solo.

Microbursts podem causar uma variação de vento total de ate 90 nós (164km/h) ao longo de 4 km.